Quem tem mais de quarenta anos em Serrana provavelmente guarda a lembrança. O cheiro de pipoca, a fila na calçada, o burburinho dos jovens antes de as luzes apagarem.
O Cine Serrana foi, por muitos anos, muito mais do
que uma sala de exibição: foi ponto de encontro, de namoro, de amizade, de descoberta. Ali uma geração inteira aprendeu a sonhar em tela
grande.
Hoje, esse mesmo espaço, preservado e modernizado dentro da Fundação Cultural de Serrana, está prestes a ganhar uma nova e emocionante missão.
A partir do 2º semestre de 2026, ele se torna o destino semanal de centenas de
crianças e adolescentes da rede municipal de ensino, por meio do projeto Cine Escola Serrana, iniciativa conjunta da Fundação Cultural e da Secretaria Municipal da Educação.
Da nostalgia à nova geração: uma sala com história
Há algo de simbólico e bonito na escolha desse espaço.
A sala de cinema da Fundação Cultural carrega consigo décadas de memória afetiva da cidade.
O antigo Cine Serrana foi palco de emoções coletivas para gerações de moradores, era lá que os jovens da cidaDa nostalgia à nova geração:
uma sala com história de se reuniam, que os namorados marcavam encontro,
que as famílias passavam os finais de semana. Com o tempo, como aconteceu
com tantos cinemas de rua do interior pelo Brasil, aquele espaço foi silenciando.
Agora, ao receber cada semana uma turma de alunos que talvez nunca tenha
pisado em uma sala de cinema, esse espaço recupera parte da sua vocação original: ser um lugar de encontro, de emoção compartilhada, de formação humana.
A história continua, só que desta vez, os protagonistas são as crianças de hoje.
Como funciona: alunos vão até a Fundação
A dinâmica do projeto é clara: toda semana, turmas de alunos do Ensino Infantil e Fundamental se deslocam de suas escolas até a sede da Fundação Cultural de Serrana, onde a sala de cinema estará preparada para recebê-los.
A iniciativa garante que todos os estudantes da rede municipal tenham acesso a
essa experiência ao longo do ano letivo, sem custo algum para as famílias.
A curadoria dos filmes fica a cargo da Fundação Cultural, que se responsabiliza pela seleção dos títulos, verificação da classificação indicativa e, quando pertinente, preparação de material pedagógico de apoio.
A Secretaria Municipal da Educação, por sua vez, organiza o calendário das turmas, providencia o transporte escolar quando necessário e orienta pedagogicamente as escolas para que os professores possam aproveitar ao
máximo cada sessão em seus projetos de sala de aula.
Rafael Jacob, Diretor-Presidente da Fundação Cultural de Serrana, ressalta o significado de reativar esse espaço para fins educativos:
“Essa sala tem história. Ela guarda memórias de muita gente dessa cidade. Nada mais justo do que devolvê-la à comunidade, desta vez, para as nossas crianças.
Queremos que daqui a vinte anos esses alunos lembrem que foi aqui que viram seu primeiro filme no cinema.”
Por que o cinema importa na formação das crianças?

O cinema não é apenas entretenimento. Pesquisadores da educação e da psicologia infantil apontam, há décadas, que a experiência cinematográfica
estimula o pensamento crítico, amplia o vocabulário emocional, desperta a empatia e desenvolve a capacidade de interpretar o mundo ao redor.
Para crianças em fase escolar, assistir a um bom filme – e depois conversar sobre ele com o professor e os colegas – pode ser tão formador quanto uma aula Há também a dimensão coletiva, insubstituível: sentar-se ao lado do colega, rir
junto, se emocionar juntos, debater depois.
Experiências assim fortalecem vínculos, desenvolvem a escuta e contribuem para a formação de cidadãos mais sensíveis.
Em um país onde o acesso ao cinema ainda é profundamente desigual, com ingressos caros e salas concentradas em grandes centros, garantir essa vivência de forma gratuita e sistemática para crianças da escola pública é um ato concreto de justiça social.
O secretário municipal da Educação, Guilherme Montanari, reforça a importância
pedagógica da parceria: “O cinema tem um poder de comunicar valores, histórias
e perspectivas que complementa o que fazemos dentro da sala de aula. Levar nossos alunos à Fundação toda semana é investir em uma formação que vai além do conteúdo, é formação de vida.”














