A inteligência artificial está transformando a forma como as pessoas trabalham, produzem conteúdo e acessam informações. Mas, enquanto a tecnologia avança em ritmo acelerado, uma habilidade tipicamente humana tende a ganhar ainda mais valor nos próximos anos: a comunicação.

Para a especialista em Neurocomunicação Thiara Palmieri, o mercado vive um paradoxo. Ao mesmo tempo em que surgem cada vez mais ferramentas para facilitar a troca de informações, muitas pessoas encontram dificuldade para serem compreendidas.

“Nunca tivemos tantas ferramentas para nos comunicar, mas nunca foi tão difícil sermos compreendidos. Hoje, qualquer pessoa pode acessar praticamente o mesmo conhecimento. O diferencial deixou de ser a informação e passou a ser a capacidade de transmitir essa informação de maneira que gere entendimento, engajamento e ação”, afirma.

Com mais de 30 anos de experiência em comunicação, televisão, publicidade e desenvolvimento humano, Thiara acredita que as competências técnicas tendem a se tornar cada vez mais acessíveis, enquanto habilidades relacionadas à influência, liderança e relacionamento humano ganham protagonismo.

“À medida que a tecnologia avança, o que diferencia as pessoas não é apenas o que elas sabem, mas a capacidade de transformar conhecimento em conexão. A inteligência artificial entrega informação em segundos. Mas persuadir, inspirar, liderar, negociar conflitos e gerar confiança continuam sendo processos profundamente humanos”, explica.

Segundo a especialista, o avanço da inteligência artificial dentro das empresas traz ganhos importantes de produtividade, mas também aumenta a necessidade de conexões humanas mais significativas.

“Muitas atividades que antes exigiam conversas passaram a ser resolvidas por sistemas e plataformas digitais. Isso é positivo sob o aspecto operacional. Porém, cresce a necessidade de momentos de conexão humana de qualidade. As empresas mais bem-sucedidas serão aquelas que conseguirem equilibrar eficiência tecnológica e relações de confiança.”

Outro desafio observado por Thiara está relacionado à forma como profissionais e líderes se comunicam no ambiente corporativo.

“Muitas vezes, líderes falam muito e escutam pouco. E uma comunicação eficaz começa pela escuta. Também vejo pessoas que dominam profundamente um assunto, mas não conseguem organizá-lo de forma clara para quem está ouvindo. Não basta ter uma boa ideia. É preciso fazer com que ela seja compreendida.”

Por meio da Neurocomunicação, área que estuda como o cérebro processa informações, desenvolve confiança e toma decisões, Thiara trabalha o desenvolvimento de habilidades ligadas à clareza, influência e presença profissional.

“Comunicar bem não é falar bonito. É fazer com que a mensagem chegue ao cérebro e ao coração das pessoas. E isso pode ser aprendido por qualquer profissional.”

Para ela, o futuro do trabalho não será definido apenas pelo domínio de novas tecnologias, mas pela capacidade de combinar inteligência tecnológica e inteligência relacional.

“A tecnologia deve assumir as tarefas repetitivas para que as pessoas tenham mais tempo para fazer aquilo que só elas conseguem fazer: ouvir, cuidar, liderar, criar e se relacionar. A tecnologia não deve substituir a humanidade. Ela deve ampliá-la”, conclui.