Mesmo com a popularização dos smartphones, das redes sociais e do acesso constante à internet, os tradicionais telefones públicos, conhecidos como orelhões, ainda podem ser encontrados em diversas cidades brasileiras. Embora cada vez menos utilizados, esses equipamentos seguem como símbolos de uma época em que a comunicação dependia de fichas, cartões e cabines espalhadas pelas ruas.

Em Serrana, até dezembro do ano passado, havia 32 aparelhos públicos de telefonia instalados em diversos pontos da cidade. Segundo a Telefônica, empresa responsável pela concessão desse tipo de serviço de telecomunicações, todos estariam em perfeito funcionamento.

No entanto, a realidade encontrada pela reportagem foi diferente. Durante a produção desta matéria, diversos orelhões foram encontrados sem condições de uso. Em alguns casos, os equipamentos sequer estavam presentes nos suportes, possivelmente arrancados e furtados por ações de vandalismo.

A partir de 1º de janeiro deste ano, a Telefônica está autorizada a iniciar o processo de retirada dos telefones de uso público, com exceção das localidades onde a população não tenha outra alternativa de serviços de voz substituto com cobertura considerada adequada. A medida segue as regras estabelecidas para a prestação do serviço e prevê a manutenção dos aparelhos restantes até 31 de dezembro de 2028.Segundo a ANATEL-Agência Nacional de Telecomunicações, a Telefônica não tem obrigação de manter os telefones públicos em Serrana, podendo retirá-los a qualquer momento.

Orelhões surgiram no início dos anos 70

Implantados em larga escala a partir da década de 1970, os orelhões surgiram para suprir a dificuldade de acesso ao telefone residencial, que na época era caro e restrito. Os aparelhos permitiam a realização de chamadas locais e interurbanas, sendo essenciais para emergências, negócios e comunicação familiar.

Com a chegada da telefonia móvel, especialmente a partir dos anos 2000, esse cenário mudou rapidamente. Os celulares se tornaram mais acessíveis, oferecendo chamadas, mensagens instantâneas e acesso à internet, o que reduziu drasticamente a procura pelos telefones públicos.

Especialistas, no entanto, afirmam que os telefones públicos ainda podem ter utilidade em situações específicas, como em locais sem sinal de celular, durante quedas de energia ou para pessoas sem acesso a dispositivos móveis.

Além da função prática, os orelhões também possuem valor histórico e cultural. Eles fazem parte da memória urbana e representam um período importante da evolução das comunicações no Brasil. Em algumas regiões, há iniciativas para preservar esses equipamentos como peças de patrimônio ou adaptá-los para novos usos, como pontos de Wi-Fi e espaços culturais. Em um mundo dominado por telas e conexões digitais, os orelhões permanecem como testemunhas silenciosas da transformação tecnológica, lembrando que a necessidade de comunicação sempre foi essencial para a sociedade.