O período de outono-inverno costuma aumentar a circulação de vírus respiratórios e favorecer casos de gripes, resfriados e outras infecções. Segundo especialistas, a maior permanência em ambientes fechados, muitas vezes com pouca ventilação, facilita a transmissão, especialmente em casas, escolas, locais de trabalho e espaços com maior concentração de pessoas.

O médico Ramiro Teixeira Hernandes, coordenador do Núcleo de Atenção à Saúde da Unimed Federação Nordeste Paulista, explica que é importante diferenciar os quadros respiratórios e observar a evolução dos sintomas. Ele acrescenta que as infecções podem ser causadas por vírus ou bactérias, e essa diferença interfere na conduta médica. “Se ela for bacteriana, nós vamos usar antibiótico. Se ela for viral, o tratamento segue outro protocolo”, afirma.

Hernandes alerta que o uso de medicamentos por conta própria pode não trazer o efeito esperado. Em muitos quadros virais, como resfriados comuns, os remédios ajudam a aliviar sintomas, como dor, febre, coriza ou mal-estar, mas não necessariamente encurtam o ciclo da doença.

Sintomas ajudam a orientar os cuidados

O resfriado costuma provocar sintomas mais localizados nas vias aéreas superiores, como coriza, nariz entupido, irritação na garganta e mal-estar leve. Já a gripe tende a ter manifestação mais intensa. “A gripe já é um estado mais intenso, com dor no corpo, prostração, dor na cabeça e às vezes febre”, afirma Hernandes.

As infecções respiratórias podem atingir nariz, garganta, amígdalas, faringe e seios da face. Quando chegam aos brônquios e pulmões, o risco de complicações aumenta. Nesses casos, podem ocorrer bronquites, pneumonias virais ou bacterianas e piora da capacidade respiratória.

A gravidade depende de uma combinação de fatores: o agente infeccioso, a carga de exposição, a condição imunológica e a saúde prévia de cada pessoa. Idosos, gestantes, crianças pequenas, pacientes com doenças cardíacas, diabetes, doença renal crônica, câncer, imunossupressão ou doenças respiratórias crônicas, como asma, bronquite e DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), estão entre os grupos que exigem maior atenção.

Segundo Hernandes, a evolução de cada caso depende do equilíbrio entre a capacidade de defesa do organismo e a agressividade do agente infeccioso.

Etiqueta respiratória reduz risco de transmissão

A prevenção não depende apenas de tratamento. Medidas simples de convivência ajudam a reduzir a circulação de vírus respiratórios. Entre as principais estão lavar as mãos com frequência, usar álcool 70% quando não houver água e sabão, evitar tocar olhos, nariz e boca com as mãos não higienizadas e cobrir nariz e boca ao tossir ou espirrar, preferencialmente com o antebraço ou lenço descartável.

Quando houver sintomas como tosse, coriza, febre, dor de garganta ou mal-estar, recomenda-se evitar contato próximo, reduzir a presença em aglomerações e permanecer em casa sempre que possível.

Para Hernandes, o uso de máscara por pessoas sintomáticas deve ser entendido como uma atitude de proteção coletiva. “A máscara, nesse caso, não é só para se proteger. É para proteger o outro.”

A ventilação dos ambientes também entra entre as medidas de prevenção. Mesmo nos dias frios, abrir portas e janelas, sempre que possível, ajuda a reduzir a permanência de partículas respiratórias no ar e o risco de transmissão.

Atenção maior dentro de casa

O cuidado deve ser redobrado em casas onde vivem idosos, gestantes, bebês, pessoas imunossuprimidas ou pacientes com doenças crônicas. Crianças e adultos jovens podem apresentar sintomas leves, mas transmitir o vírus para pessoas mais vulneráveis.

Segundo Hernandes, este é um ponto importante de consciência familiar. Uma infecção simples para uma pessoa saudável pode ter evolução mais grave em quem tem menor reserva imunológica ou respiratória. “Às vezes, a criança tem uma virose leve, volta da escola e vai beijar a avó. Para ela, pode não ser nada. Para a avó, pode ser grave”, alerta.

Nessas situações, recomenda-se evitar beijos, abraços e o compartilhamento de copos, talheres, garrafas e toalhas durante o período sintomático. Se o contato for inevitável, o uso de máscara e a ventilação do ambiente ajudam a reduzir o risco de contágio.

Quando procurar atendimento

Muitos quadros respiratórios são leves e melhoram em poucos dias. No entanto, alguns sinais exigem avaliação médica: febre persistente, falta de ar, chiado intenso, dor no peito, confusão mental, lábios arroxeados, desidratação, queda importante do estado geral ou piora progressiva.

Em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas, a busca por atendimento deve ocorrer com mais cautela, especialmente quando os sintomas evoluem rapidamente ou não melhoram.

A tosse prolongada deve ser observada, principalmente quando persiste por vários dias ou aparece associada a febre, secreção intensa, falta de ar ou piora do estado geral. O médico explica que a tosse não é uma doença em si, mas uma resposta do organismo a alguma irritação das vias aéreas.

Para reduzir riscos no período de frio, a orientação é combinar atenção aos sintomas, evitar automedicação, procurar atendimento quando necessário e adotar medidas para não transmitir a infecção.

Prevenção depende de atitude individual e coletiva

Hernandes avalia que o enfrentamento das infecções respiratórias nesta fase do ano depende também de comportamento responsável. Não se trata apenas de evitar o próprio adoecimento, mas de proteger quem está ao redor.

Em períodos de maior circulação viral, decisões simples podem reduzir contágios: não ir ao trabalho, à escola ou a encontros quando estiver com sintomas intensos, usar máscara se precisar sair, manter ambientes ventilados, higienizar as mãos, evitar contato próximo com pessoas vulneráveis e manter a vacinação em dia.

“A vacina é importante para a própria pessoa e para a família. Quando muita gente se vacina, diminui também a circulação dos agentes infecciosos”, afirma Hernandes.

O alerta principal é que gripes, resfriados e outros quadros respiratórios não devem ser tratados com descuido. Na maioria das vezes, os sintomas são leves. Mas, para parte da população, podem representar risco de complicações.

Para reduzir esse risco, a prevenção deve combinar vacinação, hábitos saudáveis, atenção aos sintomas e medidas para diminuir a transmissão, especialmente em períodos de maior circulação viral.

Sobre a Unimed Nordeste Paulista

A Unimed Nordeste Paulista – Federação Intrafederativa das Cooperativas Médicas (UFENESP) foi fundada em 16 de agosto de 1996 com o propósito de integrar e fortalecer as cooperativas médicas da região. Inserida no Sistema Unimed, atua como instância de coordenação, suporte técnico, institucional e estratégico para suas 17 Unimeds associadas, contribuindo para a gestão, a padronização de processos, o alinhamento institucional e a disseminação da filosofia cooperativista entre dirigentes, médicos cooperados e colaboradores. Integram a Unimed Nordeste Paulista as Unimeds Singulares de Alta Mogiana (Orlândia), Araraquara, Barretos, Batatais, Bebedouro, Franca, Ibitinga, Jaboticabal, Mococa, Monte Alto, Norte Paulista (Ituverava), Pitangueiras, Ribeirão Preto, Santa Rita/Santa Rosa/São Simão, São Carlos, São José do Rio Pardo e Sertãozinho.