As manchas brancas características do vitiligo podem aparecer de forma gradual e atingir diferentes regiões do corpo, muitas vezes ainda antes dos 30 anos. No Dia Mundial do Vitiligo, 25 de junho, a médica especializada em Dermatologia Flávia Villela destaca que reconhecer os sinais iniciais da doença é fundamental para iniciar o tratamento precocemente e reduzir impactos emocionais causados pela condição.

Caracterizado pela perda da pigmentação da pele, o vitiligo é uma doença crônica em que o próprio organismo ataca os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina. Apesar de não ser contagioso e, na maioria dos casos, não provocar sintomas além das manchas brancas na pele, a condição pode impactar significativamente a autoestima e a saúde emocional dos pacientes.

Segundo a médica, o impacto emocional costuma ser um dos principais desafios enfrentados pelos pacientes. “O vitiligo não oferece riscos diretos à saúde física, mas pode gerar sofrimento emocional. Muitos pacientes enfrentam insegurança, isolamento social e dificuldades de aceitação, principalmente devido à aparência das lesões”, explica Flávia Villela.

A condição afeta mais de 1 milhão de brasileiros e, ao longo dos anos, ganhou maior visibilidade com figuras públicas que falaram abertamente sobre o tema, como Michael Jackson.

A doença pode surgir em qualquer idade, embora seja mais comum antes dos 30 anos. Ainda não existe uma causa totalmente definida, mas a hipótese autoimune é atualmente a mais aceita pela comunidade científica. Fatores emocionais, predisposição genética e exposição solar excessiva podem contribuir para o agravamento do quadro.

Vitiligo afeta mais de 1 milhão de brasileiros e pode surgir em qualquer idade, sendo mais comum antes dos 30 anos Foto: Banco de Imagens

A atenção aos primeiros sinais é determinante para o controle da evolução. “Ao notar qualquer alteração de hipopigmentação, é fundamental procurar um dermatologista. O diagnóstico precoce aumenta as chances de controle da progressão e melhora os resultados do tratamento”, afirma a médica.

De acordo com Flávia Villela, cerca de 30% dos pacientes têm histórico familiar da doença, o que reforça a necessidade de vigilância da pele entre parentes de pessoas diagnosticadas. Embora a maioria dos pacientes não apresente sintomas físicos relevantes, alguns podem relatar sensibilidade ou desconforto nas áreas afetadas. O tratamento é individualizado e pode envolver medicações tópicas, orais e fototerapia, com possibilidade de repigmentação em alguns casos.

O uso de proteção solar também é essencial na rotina. “As áreas sem pigmentação ficam mais vulneráveis à radiação ultravioleta, o que aumenta o risco de queimaduras e danos cumulativos à pele”, orienta Flávia Villela.

A médica reforça que o acompanhamento dermatológico e o suporte psicológico são fundamentais para o cuidado adequado da doença.