Com o objetivo de promover inclusão real e qualificada no ambiente escolar, o projeto “Sala TEA – Tempo, Estrutura e Acolhimento”, vem se consolidando como uma importante iniciativa voltada ao atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Implantado em julho de 2025, o espaço atende atualmente cerca de 32 alunos, com idades entre 6 e 10 anos, todos da unidade escolar Edésio Monteiro de Oliveira, em Serrana.
A proposta consiste na criação de um ambiente adaptado, estruturado e acolhedor, capaz de estimular o desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional dos estudantes. Por meio de atividades lúdicas e planejadas, o projeto busca respeitar o ritmo individual de cada criança, promovendo avanços em áreas como atenção, linguagem, coordenação e funções executivas.

De acordo com Mônica Bueno, diretora da escola, a iniciativa surgiu da necessidade de oferecer suporte adequado tanto aos alunos com TEA quanto aos professores da sala regular. “Crianças dentro do espectro podem apresentar dificuldades relacionadas à sobrecarga sensorial, como excesso de ruídos, luminosidade intensa, necessidade de rotina e desafios na comunicação e interação social. Esses fatores, muitas vezes, tornam o ambiente escolar tradicional um espaço desafiador, podendo gerar crises de ansiedade e a necessidade de autorregulação”, explica Mônica.

Nesse contexto, a Sala TEA atua como um espaço de apoio estratégico. Embora os alunos frequentem as aulas regulares, eles são encaminhados ao ambiente de acolhimento sempre que necessário, onde recebem atendimento especializado até que estejam regulados e aptos a retornar às atividades em sala. “O processo garante não apenas o bem-estar dos estudantes com TEA, que podem estar nos níveis 1, 2 ou 3, mas também o equilíbrio do ambiente escolar como um todo”, completa a diretora.

A equipe multidisciplinar envolvida no projeto conta com psicopedagogo, pedagogo, profissionais de educação especial, monitor de apoio, professor de educação física, técnico em esportes e nutricionista especializada em seletividade alimentar. Ainda há a expectativa de inclusão de um professor de música no quadro.
Além do atendimento às crianças, o projeto também contempla as famílias, especialmente as mães, oferecendo momentos de acolhimento e orientação. Entre as ações desenvolvidas estão iniciativas como o “Dia da Beleza” e, a partir de maio, o início de atividades voltadas à culinária, com foco nas dificuldades alimentares comuns entre crianças com TEA.

Apesar dos avanços, a iniciativa enfrenta desafios significativos. Ainda sem apoio governamental ou financiamento específico, a estrutura da sala foi viabilizada por meio de esforços da própria equipe escolar, que organizou rifas, vendas e campanhas de doação para custear adaptações básicas. “Ainda há carência de recursos como equipamentos tecnológicos, mobiliário adequado, ar-condicionado, materiais pedagógicos, jogos educativos, impressora e cortinas, além da necessidade de ampliação da equipe com profissionais especializados”, explica Mônica.

Segundo a diretora da escola, o projeto foi inspirado em modelos internacionais de inclusão, especialmente experiências adotadas nos Estados Unidos, onde o atendimento especializado ocorre de forma integrada ao ensino regular. No município, não há registro de iniciativa semelhante.
Mesmo com limitações estruturais, os resultados já são perceptíveis. A equipe relata mudanças significativas no comportamento dos alunos atendidos, com melhora na adaptação ao ambiente escolar, maior capacidade de interação e redução de episódios de crise.
A “Sala TEA” se apresenta, assim, como um exemplo de inovação e comprometimento na educação inclusiva, evidenciando que, mesmo diante de desafios, é possível construir soluções eficazes quando há engajamento e sensibilidade às necessidades dos alunos.














